domingo, 7 de outubro de 2007

O Tempo


Tenho um hábito estranho de ler revistas antigas e imaginar o quanto o tempo passou, os acontecimentos, e que naquela semana que a revista saiu, não sabíamos nada sobre o por vir.
Faço isso também com agenda, folheio minha agenda do ano (às vezes a do ano passado) e vejo coisas que aconteceram no início do ano, quando eu inocentemente acreditava que o futuro seria melhor.
Nem o presente, nem o futuro existem. O tempo é escorregadio e nos dá a falsa sensação de que existe. Só acredito no passado, é só o que nos resta...é só o que temos!

domingo, 16 de setembro de 2007

Num 11/09


Só hoje escrevo...

Escrever sobre a morte é dificil, não sei nada sobre ela, só a dor que me causa, e a confusão de me sentir mais só no mundo, mas seca na vida.

Perdi um amigo!

Depois do susto, a culpa. Por mais que esperasse esta notícia ela me chegou como um soco no estômago e me colocou de cara com a minha covardia! A dor de ver-te doente talvez fosse menor que a impotência de não poder te ver mais.

Ficaram as risadas, os sufocos, as piadas, as dores de barriga.
Peço que olhes por nós, de onde estiver...


Sigo com Vinícius de Moraes(*):


Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar,embora não sem dor,que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebemos quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ….
Alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônicae não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente,construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer …
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiamos talvez nunca vão saber que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.

(*)Não sei se esse texto é do Vinícius de Moraes, não achei no site dele...fica assim

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Mais uma da minha simple life

Gente...desculpem meu sumiço.
Desta vez não vou mais dar desculpas esfarrapadas, nem fazer promessas que não vou poder cumprir, estou atolada até a tampa de trabalho, faculdade e carinhos com a minha sogrinha que está doente.
Estou escrevendo da casa da minha cunhada, por isso não estranhem a falta de figuras de equilibristas, característica do meu blog, estou com preguiça de procurar, já que tenho tudo em casa numa pasta.
Vou contar mais um "causo" das minhas idas e vindas pelo centro da cidade de Fortaleza.

Esses dias estava euzinha esperando o ônibus, num sol de meio dia, em pleno centro da cidade, para ser mais precisa na Duque de Caixias quase em frente ao meu trabalho. Pára um ônibus bem na minha frente com uma prancha de body board presa na porta de trás, com uma parte para fora. O motorista gentilmente abriu a porta e a prancha caiu na calçada, logo depois saiu seu dono vestido com uma capa de chuva (daquelas amarelas, bem grossas), pegou a prancha e carregou debaixo do braço até a faixa de pedrestre entre as faixas de carros. O tal homem com um olhar meio esquisito, tirou a capa, dobrou e desdobrou mil vezes e guardou na mochila. De lá (da mochila) tirou uns chinelos, descalçou os sapatos, calçou os chinelos, guardou os sapatos e começou a tirar as calças no meio da rua, para o terror da maioria dos observadores da cena inusitada. Ufa! ele estava com um short de banho tipo ciclista preto bem colado. Fiquei passada, pronto! ele já estava pronto para pegar uma onda no meio da faixa de pedestre. Não sei o fim da história (sinto muito!) pois meu ônibus chegou e eu parti, ainda que olhando para trás tentando ver o desfecho do caso.

Depois contando a cena para uma amiga da psicologia ela me disse um tanto quanto intrigada, que só não tinha entendido o motivo pelo qual o tal homeme estava de capa de chuva...(eu mereço!!!). Eu respondi prontamente: É pq em dia de chuva o mar está melhor para pegar onda...
tem cada doido nesse mundo!

P.S.: Se alguém passou por acaso na Av. Duque de Caixias, viu a cena e sabe o final, por favor me conta!

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Mãe... um monstro!!!


Ontem quando fui correr de manhã, escutei pelo rádio num jornal qualquer a notícia que o nosso presidente estava se preparando para uma viagem ao Nordeste, mas especificamente Piauí, Maranhão, acho que Paraíba. Ele anda com sua autoestima baixa depois das vaias que recebeu na abertura do Pan 2007, e nestes estados escolhidos o pessoal do bolsa família vai esperá-lo nas ruas, pra levantar o ânimo do homem. Vcs reapararam que ele anda meio sumido? primeiro as vaias, depois mais um caos aéreo, ele saiu de circulação.

Depois de ouvir a notícia e suspeitando da índole de nosso "querido" presidente, não pude deixar de imaginar a cena da D.Marisa se abaixando, levantando a colcha da cama e dizendo: Saí daí homem, deixa de ser mole! vc vai pro Nordeste!

Ilustração: Sin titulo aun - Silvia Katz

domingo, 22 de julho de 2007

El Camino

"El camino del artista tiene el grosor de una cuerda,sobre esa cuerda camina,sabiendo que ningún equilibrio es posible."

Ilustração e frase: Equlibrista - Grupo Escombros no site: http://www.grupoescombros.ar/


sábado, 21 de julho de 2007

Quem é vivo sempre aparece...







GEEENNNTCHHHE!


Sumi pra valer desta vez! Estou trabalhando feito louca (louco trabalha?). De férias... não tive nadica, mas estou bem.
Pra calar a boca dos que diziam que eu "não fazia nada", resolvi me rebelar e dar duro! (O "não fazer nada" leia-se "não fazer dinheiro", pois as roupas sujas daqui de casa ainda não aprenderam: a separarem-se por cor, e em seguida pularem na máquina, já com a escova lavada e com sabão diluído... ô trabalhozinho ingrato este de casa, não acaba nunca e ninguém vê, exceto quem faz). Sinto informar: minha situação financeira continua lastimável.

Estou pela primeira vez trabalhando na área de psicologia, na organizacional, vulgo, apagadora de incêndio. Sim, pois estamos na categoria de empregado, mas nos colocamos exatamente na linha de frente de uma batalha, há muito anunciada e que já nasce digamos, perdida! Estou feliz, bem supervisionada (e acompanhada!) e bem intencionada e isso é o que vale!

Beijos a todos e prometo em breve voltar contando minhas aventuras nos ônibus da cidade, no trajeto do trabalho que é no centro da cidade. Logo vou fazer concorrência ao programa da Paris Hilton com o meu :"Welcome to Real life".

Ps.: continuo firme cantarolando meu mantra...


Ilustração: Marisa Olmi

domingo, 24 de junho de 2007


Semana passada, a necessidade financeira, me forçou a outro episódio bizarro em minha vida. Fiscalizei dois dias de prova de vestibular. É um saco, mas dentro do meu infortúnio tirei algumas experiências que repasso pros meus 5 leitores (é isso aí...estou ficando famosa!!!):


É impressionante a cara de babaca que fazemos quando fingimos que estamos pensando, mas na verdade estamos tentando espiar a prova do vizinho.


Não adianta ficar na prova até o final, a redação não vai cair na sua cabeça, muito menos o gabarito. É mais digno, dar seus chutes e entregar logo a prova, pelo menos quem está fiscalizando vai pra casa mais cedo!


Tinha um pessoa que parecia em surto psicótico em plena prova, ela ria, como se visse alguém...eu hein?outro pediu pra sair da sala antes da prova pra escovar os dentes...meu Deus ele está querendo entrar na universidade e ainda não sabe que se deve escovar os dentes ANTES de sair de casa quando acorda??

Li a primeira linha e alguns parágrafos das redações enquanto guardava no envelope. Gente o que eu li foge a qualquer visão do inferno, ou melhor, leitura do inferno: "estoram" seus orçamentos, "indiscritívelmente" (como sem descrição, foi o q senti!), neologismos com 12 letras que até parecia alemão. Como eles querem escrever se não conseguem ler nem os outdoors da cidade?? imagina então, a correção destas redações, dois professores de português, sentados em uma mesa às gargalhadas...só pode!


Sair da posição de aluna e estar na posição de professor na prova, atiçou toda meu lado tirano. Como o zelador que vira porteiro, e no mesmo dia barra a empregada, num filme q vi!!! O antes oprimido quando na função de opressor também oprime (aprendi direitinho TG?), ao contrário do esperado de alguem que viveu a experiência de humilhação.
Ilustração: a veces me gusta jugar a ser equilibrista - Virginia Agullar